segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Poemas: detetive Mussum

 

Estou no meu escritório,
esperando um caso,
da mesma maneira que uma planta brotar.

A meia-luz cobre meus olhos,
quase fazendo uma prece
para qualquer entidade me ajudar.

Quando a porta rangeu,
uma moça, com seu vestido moldando um corpão,
me solicitou meu trabalho.
Agradeci ao santo que eu segurava nas mãos.

Ela disse que seu marido podia ter um caso
com outra mulher no trabalho.
Meus olhos brilharam;
achei que seria fácil.

Deu-me metade do dinheiro,
virou-se de maneira monumental,
balançou seus quadris

e, como um peixe na isca, me fisgou.
Tava na cara que era cilada.
Me fisgou,
mas sou um Mussum,
um peixe ensaboado,
e liso eu sou.

Ela veio com essa
pra cima de quem já se manca,
mas Mussum eu sou,
não caio fácil.

Peguei minha câmera,
fui no endereço que ela marcou.
Fedia a uma privada
que há muito tempo ninguém lavou.

Achei uma janela
que facilmente mostrava todo o lugar.
Como os olhos de uma águia,
procurava meu roedor.

Após um bom tempo,
nada ali tinha pra sondar.
Achei então que seria divertido
na armadilha me enrolar.

Aquela mocinha, uma baita safada,
tinha um corpo
estatelado no meio da sala,
e o fotografado fui eu.

Aí que começou a emoção.
Se eu não encarasse essa furada,
fui eu
que seria o cabra acusado.
E de lá tinha que me pirulitar.
Fui eu,
mas já tinha ideia de como iria terminar.

Ouvi os zumbidos das azeitonas,
nas paredes fazendo buracos.
Me escondi,
pronto pra revidar
se tentasse me dar algum balaço.

Com meu velho três-oitão,
dois jagunços pra vala mandei.
Quando a moça, com voz mansa,
queria barganhar.

Era pra eu ser, desse assassinato, o culpado,
mas liso eu sou
e já tinha algo preparado.

Mussum eu sou
e minha isca mandei.
Eu tinha avisado os meus
que, caso a barra pesasse,
por que Mussum eu sou.

E pegamos a moça safada
e o cúmplice danado.

Este caso fechei
com a grana completa em minhas mãos.
Eu não sou enganado.

Este caso fechei
com a femme fatale enjaulada,
seus boing-boings pulando,
pra comprar o carcereiro
que cuida da jaula.

Sou Mussum.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Flávio borra rabo


 

LÁ VEM O ZUMBI, ZUMBI OLHA LÁ




 

EVANGELISTÃO

 EVANGELISTÃO 

( letra de música com teor sarcástico)


Fingimos ter paz de espírito

E as boas novas do reino pregar

Na TV aberta, nas ondas do rádio e na internet

Se tu piscares, nós estamos lá


Mostramos uma vida maravilhosa

Sempre com dinheiro

Se tu quiseres da mesma forma viver

Nos dê o seu dinheiro

Para que, com o tempo,

O Senhor possa empreender


Nossas regras sigam

E nunca deves do livro sagrado

Sua sabedoria tomar

Pois tu não tens a capacidade

De esse conhecimento domar


Tudo o que não vem do nosso lado

Deves evitar, pois é o demônio

Querendo te corromper

Os outros grupos de cristãos,

A umbanda e o candomblé


É o inimigo a te esculachar

Se a nossa família miliciana

Nas eleições vitória tiver

A nossa nação de Cristo vai enfim crescer


Nossa Senhora!

Não vai ser mais padroeira do país

Mas, para defender nosso miliciano,

Um juiz do Supremo vai nos defender

E censurar como se fazia na ditadura

Porque na nossa democracia

Liberdade de religião nunca mais vão ter

Miliciano em nome da paz