sábado, 24 de janeiro de 2026

BRASAS – PARTE 2: O TEATRO DAS MÁSCARAS





​O Rio de Janeiro do século XIX é um caldeirão de culturas e segredos. Enquanto o Império abre suas fronteiras para estrangeiros, sombras se movem nos corredores do poder. Machado de Assis, um atento funcionário da Secretaria da Agricultura, descobre algo perturbador: o Marechal Deodoro da Fonseca tem acessado clandestinamente os arquivos restritos do artista Aleijadinho. O interesse não é na arte, mas no segredo do Aço Santo.

​No palácio, a diplomacia esconde o perigo. A bela e astuta Elisabeth van Oranje, representante holandesa, joga um jogo de palavras perigoso com Dom Pedro II. O Imperador sabe que a Holanda está por trás do ataque do colosso em Recife, mas no teatro da política, provas são moedas raras.

O Retorno da Shinobi

​Dada como morta após a crise de Recife, Luísa Mahin ressurge das sombras. Ao interceptar uma conversa entre Deodoro e uma figura misteriosa, ela descobre o plano: um golpe para derrubar a monarquia e instaurar a República, financiado por tecnologia estrangeira. A ameaça atinge o ápice quando a Princesa Isabel se torna alvo dos conspiradores.

Noite de Gala, Noite de Sangue

​Durante uma festa luxuosa no Teatro Municipal, a tensão explode. Usando tecnologia de indução de imagem, Luísa infiltra-se no evento, enquanto João de Deus (Brasa Preto) protege os arquivos restritos. O que parecia um assalto comum revela-se uma invasão tecnológica: robôs infiltradores holandeses atacam o coração do Império.

​Nos jardins, João ativa sua armadura e enfrenta uma horda de máquinas. Enquanto isso, nos escritórios secretos, Luísa e Machado de Assis são encurralados por Deodoro e seus soldados. Mas a traição é interrompida pela chegada de Francisco (Dragão do Mar) e da própria Princesa Isabel, que, cansada da falsidade da corte, decide agir. Em um momento de coragem, a Princesa desfere um gancho de direita no Marechal traidor, forçando sua fuga.

Laranja Mecânica

​A verdadeira face da vilania surge quando Elisabeth van Oranje revela sua própria armadura de combate: a Laranja Mecânica. Uma máquina de guerra movida a carvão em brasa que desafia o poder do Aço Santo. Alegando imunidade diplomática e ameaçando uma guerra mundial, Elisabeth foge, deixando um rastro de destruição e um robô assassino para trás.

O Nascimento de uma Lenda

​Diante do perigo iminente, não há mais como se esconder. Sob o luar do Rio de Janeiro, Luísa e Francisco bradam o comando que ecoará pela história: “BRASA, INCENDIAR!”.

​Na sacada do palácio, observando as armaduras de Aço Santo brilharem contra a ameaça estrangeira, Machado de Assis e a Princesa Isabel batizam os defensores do Reino:

​— Eles são... — começa Machado.

— ...Os BRASAS — conclui Isabel, com esperança no olhar.

A batalha pelo Brasil apenas começou

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

BRASA: Baluarte de Resgate das Almas de Santo e Aço

BRASA: Baluarte de Resgate das Almas de Santo e Aço

​I. Sombras no Palácio

Rio de Janeiro, 1850. O Segundo Império, sob o cetro de Dom Pedro II, busca os trilhos da modernidade. O monarca, ávido por avanços tecnológicos, tenta preparar a nação para alçar voos mais altos, mas a paz é uma ilusão frágil. Embora revoltas como a Farroupilha e a Praieira tenham sido contidas, o solo brasileiro permanece um barril de pólvora.

​Mimetizada nas sombras do aposento real, surge Luísa Mahin. A espiã ajoelha-se perante o imperador.

— O que me conta, minha shinobi? — indagou Pedro II, ainda surpreso com as aparições silenciosas de sua informante.

— Meu Lorde, as insurreições estão sob controle, mas há um veneno estrangeiro agindo no subsolo. Acreditamos que potências europeias, exauridas pelas guerras napoleônicas, financiam o caos para invadir nosso solo sob a máscara de "libertadores".

​O monarca cerrou os punhos.

— Estão tão desesperados? Em vez de diplomacia, preferem semear a discórdia? Pois bem. Mantenha seus olhos vigilantes, Luísa. Nossos vizinhos republicanos salivam como lobos-guarás famintos. Saia, preciso refletir. Tenho que cuidar de minha filha, Isabel.

​II. O Mar de Gelo

Próximo à linha do Equador, o jovem Francisco José, conhecido como Chico, movia sua jangada com maestria, levando mantimentos aos navios mercantes. Homem de pele retinta e olhos tão profundos que pareciam capturar a luz do sol, ele encostou seu remo no ombro e seguiu para uma taberna para uma rodada de aguardente com o colega Bonifácio.

​— Hoje o sol castigou no porto, compadre! — disse Francisco após o primeiro gole.

— Já te falei, Chico. Tua jangada é um modelo obsoleto — provocou Bonifácio. — Se sente o calor, é sinal que essa canoa velha vai a pique logo.

Francisco apertou os olhos. — É fácil se gabar com equipamento novo da companhia que abastece o Exército. Quero ver ser o melhor da região com tralha "requenguela". Aí sim teremos uma conversa.

​A rivalidade foi interrompida pela entrada de João de Deus Nascimento e Maria Quitéria.

— Ei, você de costas! — gritou João. — Preciso do melhor jangadeiro para uma viagem rápida até uma nau. Coisa pouca, nem vai suar!

Ignorando Bonifácio, o casal foi direto a Francisco.

— E então, moleque? Aceita ou não? — o tom de João era ameaçador, mas Quitéria o afastou com o olhar.

— Desculpe meu amigo — disse ela a Francisco. — Ele toma café demais e a cafeína lhe sobe ao sangue.

​Ao saírem, Francisco sentiu um arrepio. O mar estava diferente. A água resistia às remadas e a temperatura caía de forma anormal. Ao se aproximarem da nau, encontraram Anita Garibaldi, em trajes que misturavam a prenda gaúcha ao jaleco militar.

— Olá, Garibaldi! Como vai seu maridão italiano? — indagou Quitéria.

Anita inflou as bochechas. — Cobiçar o marido alheio é pecado. E o sujeito de São Paulo? Já cansou dele?

​A disputa foi cortada por Luísa Mahin, que emergiu das sombras.

— Holandeses — sentenciou Luísa. — Eles estão por trás das rusgas. Querem recursos e pretendem atacar outra vez.

— E aqueles projetos de Da Vinci? — João abaixou a cabeça. — Máquinas que andam por baixo d'água... fazia sentido.

​De repente, um solavanco violento derrubou todos. Um iceberg gigantesco rompeu o casco da nau.

— Tire-nos daqui! — gritaram para Francisco.

Chico remou com força sobre-humana, desviando milagrosamente de pedras de gelo que surgiam como arrotos subaquáticos. Ao chegarem ao cais, viram o impossível: um gigante demoníaco de metal caminhava sobre as águas em direção ao Recife.

​III. A Iniciativa Brasa

A cidade mergulhou no pânico. Os canhões do exército real dispararam, mas os projéteis mal arranhavam o monstro feito de destroços e engrenagens de engenho, ostentando a marca da Família Orange. Em meio à destruição, Bonifácio encontrou o grupo de Francisco entre os escombros.

— Sigam-me! — gritou, revelando um alçapão em seu galpão de trabalho.

​Lá embaixo, Bonifácio revelou o segredo:

— Um investimento de Dom Pedro I. O engenheiro Aleijadinho criou armaduras de "aço santo", capazes de absorver qualquer impacto.

Luísa ficou estupefata. — O projeto foi terminado?

— Não temos tempo para lendas! — exclamou João. — Milhares estão morrendo!

​Bonifácio acionou o protocolo:

— ALEIJADINHO: Atelier de Lataria Especializada em Interface de Juntas Articuladas e Dispositivos de Implementação Neuro-Hidráulica Optimizada!

Uma cabeça holográfica surgiu sobre a mesa. — Um gigante destruindo a cidade? — disse o inventor virtual. — Tá aí uma emergência que eu não sonharia nem nos meus piores delírios de ópio.

​Quitéria, João, Anita e Luísa vestiram as pulseiras. Francisco foi impedido.

— Você é um jangadeiro, Chico. Seria um estorvo — disse João.

Aleijadinho tossiu: — Digam a senha: BRASA, INCENDIAR!

​O clarão forjou os trajes:

​Maria Quitéria (Verde): A Guerreira.

​João de Deus (Preto): O Rebelde.

​Anita Garibaldi (Amarela): A Força da Natureza.

​Luísa Mahin (Rosa): A Mestra das Sombras.

​IV. O Dragão do Mar

Os heróis saltaram para o combate, mas o gigante se dividiu em quatro robôs rápidos, encurralando a equipe. Quando o golpe final parecia inevitável, um remo arremessado com violência atingiu os droides.

​Era Francisco. Ele trazia no pulso o colar que recuperara no laboratório.

— Vocês precisam de um quinto elemento! — Chico bateu o remo no chão. — BRASA, INCENDIAR!

​O traje azul-cobalto se moldou ao seu corpo.

— Criatura imunda de além-mar! A força do povo eu carrego no peito. Eu sou o Dragão do Mar! Vamos incendiar!

​A batalha foi épica. João bloqueou as rajadas de gelo, Luísa sabotou os sistemas inimigos e Quitéria despedaçou as blindagens. Francisco saltou, e ao redor de seu remo, um dragão de água se formou, partindo o colosso ao meio. O objeto alado que restava foi reduzido a cinzas.

​V. O Segredo

No dia seguinte, os jornais celebravam a vitória, mas noticiavam a morte dos soldados Maria Quitéria, João de Deus, Anita Garibaldi e Luísa Mahin.

— Era mesmo necessário forjar nossa morte? — perguntou Anita, no esconderijo.

— Se o mundo souber da tecnologia, a guerra nunca acaba — respondeu Luísa. — O Aço Santo não pode cair em mãos erradas.

​Do lado de fora, os seis olharam o horizonte. O perigo havia passado, mas eles sabiam: o BRASA estaria pronto para a próxima sombra.

​Cena Pós-Créditos: O Gabinete de Amsterdã

Amsterdã, Países Baixos. Três meses após o incidente em Recife.

O General Van der Meer examinava um fragmento de metal verde sob a luz da lareira. Um oficial entrou, apreensivo.

— O protótipo Mamutão foi destruído, senhor. Perdemos tudo em Recife.

Van der Meer sorriu, sombrio.

— Perdemos sucata, Coronel. Mas ganhamos o mapa. Se o Império Brasileiro tem o fogo, nós construiremos o forno. Informe Londres e Washington: a "Iniciativa Brasa" despertou. A partilha das Américas será feita com Aço Negro